Há algum tempo ele havia chegado. E chegou para ficar. Todos foram envolvidos pela sua maneira de comunicar-se, de ensinar e conquistar novos amigos. Porém, a forma de como ensinara a cantar, marcou a sua presença. E, da presença à liderança foi como um paço. Falar dele,era falar de equilíbrio, sensatez e gratidão por tudo que fizera. Todos os pássaros, de alguma forma lhe devia algo. Seja um conselho, uma palavra, um gesto de carinho, uma solução de problemas. Porém, um fato era inconteste: todos lhes eram gratos pela forma com que haviam aprendido a cantar e cantar de uma forma inigualável. Os novos pássaros ao chegarem eram conquistados pelo novo cântico, e imediatamente eram envolvidos pela harmonia, melodia, simetria, entoação, postura, e, assim unia-se a esta forma de cantar. As outras espécies de animais eram sensibilizados pelo cântico, seja apresentado por um, ou pelo bando de pássaros.Assim, era um modelo para as novas gerações de pássaros e todos deveriam aprender esta maneira de louvar. Tornou-se um modelo. Alterar ou modificar este quadro era temeroso e até mesmo perigo.Assim viviam e conviviam felizes ao longo do tempoEm determinado momento surge naquela floresta um novo pássaro. Pássaro este com novas plumagens. Voando de forma diferente, porém cativante. A todos transmitia uma nova forma de viver como pássaro. De maneira paulatina foi conquistando a simpatia ao seu redor. Pela forma de tratamento, postura e coerência em suas ações, vai aos poucos consolidando a sua presença. Agia como qualquer outro pássaro. Por si só, esta atitude em nada alteraria a rotina da floresta se não houvesse algo que o diferenciava dos demais pássaros e deixou a todos atordoados, isto é, não quisera aprender a cantar da forma com que todos cantavam. Tinha o seu próprio cântico. E, como não bastasse, vivia a cantar em todos os cantos, chamando à si a atenção de todos. Tanto curiosos, como os que gostavam de ouvi-lo cantar aumentavam a cada dia. No entanto, devido à bela e nova melodia, além de atrativa, era de fácil assimilação, os pássaros começam a entoá-la e assim passam a perceber que não existe uma única forma de cantar, porém duas. Inclusive outros concluíram que poderia haver até mesmo mais e mais formas de cantar.Ao tomar conhecimento, o Pássaro Mor, incomodado e preocupado com a proliferação deste novo cântico, e consequentemente, a perda do monopólio do cântico entre os pássaros, chama os seus pares para uma decisão sobre tão importante assunto que ameaçava a unidade entre os pássaros da floresta. Chegaram à conclusão que pássaros só podem cantar de uma forma. É inerente à condição de pássaro. Nunca existiu e não existirá espécies de pássaros cantando em formas diferentes. Sabiam que os pássaros estavam condicionados a uma forma de cantar. Acabar ou modificar esta situação, significaria alterar a própria natureza do Criador.A sentença foi inânime: temos que impedir a divulgação deste novo cântico. Assim, de forma cuidadosamente elaborada, para não parecer injustiça, propõem que o mesmo seja acidentado perdendo uma de suas asas.Sem uma das asas, com muita dificuldade, o Pássaro Sonhador, consciente do que lhe ocorrera, prossegue em sua missão de ensinar o seu novo cântico. Mesmo sem condições de envolver-se completamente em uma de suas principais atividades que era voar, os pássaros interessados vão à sua procura, aumentando o número de amigos que se propõe a divulgar a sua forma de cantar.Com o desenrolar do tempo o Pássaro Mor percebe que a ameaça a unidade dos pássaros é constante e, desta vez a decisão é mais dramática e notória. De maneira aviltante seqüestra o Sonhador, cortando-lhe o seu primoroso bico.Agora com dificuldade de voar e impossibilitado de cantar, restou-lhe somente o tempo para aprofundar-se na tristeza e/ou refletir com seus amigos...
Conclusão
“Fracassei em tudo que tentei em minha vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”
( Darcy Ribeiro)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Será que você precisa subir a favela pra descobrir que o pó que você coloca para dentro do nariz financia a destruição de milhares de adolescentes?



0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado por participar!